ESCOLHA O TÊNIS CERTO PARA SEU ESPORTE

Criados pela aristocracia inglesa no fim do século passado, os tênis deram pé e ganharam o mundo. Hoje, são tantas as marcas, modelos e materiais que às vezes a gente se assusta ao entrar numa loja. Escolher um par de tênis é tarefa complicada. E não dá para ir atrás do vendedor: “Os balconistas brasileiros geralmente são despreparados para orientar”, reconhece a gerente de produtos da Nike, Maria Luisa Siffert. Quem procura tênis “para fim de semana”, na expressão do diretor técnico da adidas, Marc Sattler, não precisa se preocupar com as especificações técnicas, podendo basear sua escolha em considerações meramente estéticas. Já quem pretende usar o calçado para a prática esportiva tem que pensar na perfomance e na proteção oferecidas. Assim, se você encara o esporte com seriedade, aprenda a escolher seu tênis.

Aeróbica: Leveza é fundamental, mas uma boa aderência e um eficiente sistema de amortecimento não ficam atrás. Para enfrentar o pula-pula sem machucar as articulações (afinal, você não é um canguru), o tênis tem que ter plataforma alta e larga, com biqueira mais baixa que as dos modelos para jogging. No solado, verifique as áreas de giro – círculos concêntricos em que o pé se apoia para rodar.

Vôlei: Aderência no solado, em geral de crepe, evita escorregões em quadras de taco – senão é você quem parte em jornadas nas estrelas. A plataforma deve ser alta e larga: “Se o amortecimento não for bom, estoura o joelho”, diz o jogador Pampa, da Seleção Brasileira. O solado de formato chato e parte de cima em couro são as grandes sacadas. Nesse esporte as marcas Rainha e Tiger são bem recomendadas.

Jogging: Quem corre muito, seja fundista ou velocista, precisa de um tênis leve e com boa ventilação, ensina Vitor Matsudo, ortopedista e professor de Fisiologia do Exercício na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. O impacto de cada passada durante uma corrida equivale a três ou quatro vezes o peso de todo o corpo. Por isso, é necessária uma plataforma alta. O solado deve ser resistente à abrasão – com desenhos profundos, como pneus off-road – para enfrentar todos os terrenos. O material mais apropriado para a parte de cima do tênis é o náilon ultraleve, com reforço de camurça. Nike, Tiger, Adidas, Reebok e Olympikus são marcas conceituadas.

Caminhada: Os modelos para caminhar são muitos parecidos com os de jogging, só que o solado deve ser mais liso e chato. A Topper é uma marca que tem um tênis assim.

Basquete: Os tênis de basquete, pesadões e reforçadíssimos, são planejados para amortecer impactos de até dez vezes o peso do corpo. A parte de cima é sempre em couro, reforçado nas áreas em que há mais atrito. O cano alto previne torções no tornozelo, mas hoje muitos o dispensam. As áreas de giro na sola, assim como o desenho antiderrapante, são tão importantes quanto uma cesta de três pontos no último segundo. All Star, Reebok, Wilson e Nike são boas marcas neste tipo de tênis.

Tênis: A parte de cima deve ser de couro para dar maior resistência. O solado tem o desenho do tipo colmeia, combinado com as áreas de giro. O reforço na biqueira é importante para a hora do saque. Rainha, Reebok, Wilson e Nike tem bons tênis.

Futebol de salão: Um tênis de solado chato, em couro, com reforço na biqueira, vale tanto quanto um gol. Boas marcas: Penalty, Puma, Adidas, Le Coq Sportif e Topper.

Futebol: A chuteira e o número de cravos que combinam com as condições de dureza do gramado são quase tão sérios quanto a escolha de pneus para um corredor de fórmula Um. O mais importante é se sentir bem dentro dela, não importa o modelo. Feita a opção certa, é só mandar a bola para as redes e correr para o abraço! 

O QUE VER NA HORA DA COMPRA

  •          Se o tênis for para fazer esporte, experimente-o vestindo a parafernália toda – meias, faixas, tornozeleira. Mesmo assim, prefira o par que tiver uma folga de cerca de um centímetro.
  •          Rejeite os pares que têm tendência ao esfolamento do calcanhar (calçado que entra e sai do pé) e os que deixam o calcanhar curvo.
  •          Não se envergonhe de checar a resistência do calçado nas áreas de costura e colagem. Torçe-o de um lado para outro. Flexione-o para cima e para baixo. Se houver qualquer rompimento ou se ele não voltar à forma original, desista, mesmo que o balconista olhe feio.
  •          Dobre o contraforte (reforço no calcanhar) para baixo, a fim de verificar sua rigidez. Quanto mais resistência melhor.
  •          Veja se o tênis tem o calcanhar mais alto  que a parte dianteira. Essa diferença é fundamental e deve Ter entre um e dois centímetros.
  •          Colarinho ao redor do calcanhar, a lingüeta e a parte dianteira. Essa diferença é fundamental e deve ter entre um e dois centímetros.
  •          Observe a qualidade das costuras e lembre-se: pontos largos rasgam facilmente.

Atenção: As marcas de tênis citadas são apenas referências. O mercado é muito dinâmico e surgem muitas novidades nesta área. Consulte vários vendedores e atletas.

Fonte: Revista Boa Forma. Modificada por Luciano Rezende