Leonardo Sá
O homem sofre com a ação do próprio homem, já teorizam os ambientalistas. A prática disso está sendo vivida, e sofrida, hoje pela população da Grande São Paulo. Tudo por irresponsabilidade, tanto do poder público quanto da própria população. A parcela de culpa do povo está em insistir em ser mal educada e jogar lixo nas ruas, encostas, rios, pela janela, terrenos baldios, ou qualquer lugar. Menos no lixo.
Vitória tem uma diferença positiva em relação às outras capitais do Brasil: o lixo é recolhido diariamente, exceto aos domingos. Essa é a vantagem, já que cada pessoa produz, diariamente, cerca de um quilo de lixo. E a população da capital é de 320 mil pessoas.
Diariamente os garis recolhem quase 300 toneladas de lixo pelas ruas e 10 mil toneladas por mês, informou o secretário de Serviços, Jorge Daniel. Segundo ele, a população deveria ter mais disciplina ao deixar seu lixo doméstico na rua para ser recolhido. “As pessoas têm a errada idéia que o caminhão de lixo passa toda hora. Isso não acontece. Cada bairro tem seu horário de recolhimento. A população tem que estar atenta a esse horário e só colocar o lixo na rua uma hora antes da coleta”.
Outro problema enfrentado nas ruas da capital é o entulho de obras que são jogados nas vias públicas. Em Vitória existem três Estações Bota Fora: uma em Andorinhas, outra em São Pedro e também em Jardim Camburi.
“Não é obrigação da secretária recolher pequenas quantidades de entulho de restos de obras. Mesmo assim temos que resolver esse problema, pois está na via pública. A população tem que ter a consciência de que está fazendo algo errado e que pode até ser multada. As estações estão aí para serem usadas”, explica o gerente de limpeza urbana, Romário Castro.
O gerente alerta que as estações não devem ser confundidas com depósito de entulho. São áreas estruturadas para receberem restos de entulhos que, provavelmente, seriam jogados no meio ambiente. “A recomendação é, no máximo, um metro cúbico ou quatro sacos cheios, o suficiente para encher um porta-malas. No local é proibido o recebimento de lixo domiciliar, ou metais pesados, como pilhas e baterias de celular”, alerta Castro.
Para a costureira, Sônia Silva, a limpeza da capital é bem feita. O que falta mesmo é educação. “Percebo que depois que os garis passam, minha rua fica limpa. Em pouco tempo você já pode reparar a quantidade de lixo que é jogada na rua. É uma falta de educação e também de bom senso já que esse lixo vai direto para os bueiros”, alerta. Esse lixo acumulado nos bueiros, pode causar entupimento, fazendo com que a água da chuva não possa escoar causando a temida enchente.
Uma lixeira para cada 106,6 pessoas em Vitória
Vitória conta com três mil lixeiras. E, se comparado ao número de habitantes da capital, é pouco. Aliando, ainda, à falta de educação da população, que além de insistir em jogar o lixo em locais inadequados, ainda estragam os cestos.
“Temos que lidar com o vandalismo. Diariamente temos que repor 12 lixeiras de poste na cidade. Isso dá uma média de 300 por mês. É um gasto desnecessário”, reclama o gerente de limpeza urbana.
Coleta seletiva. Por toda a capital também estão espalhados 371 pontos de coleta seletiva. Neles são instalados os Pontos de Entrega Voluntária, as conhecidas PEV'S. O material coletado ali é reciclável - como papel, metal, plástico e vidro.
Duas associações recebem a coleta seletiva, à Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Vitória (ASCAMARE) e à Associação de Catadores de Materiais Recicláveis da Ilha de Vitória (AMARIV). |