Durante o meu curso de medicina, nos ambulatórios de pediatria, conhecí como funcionavam os núcleos da Pastoral da Criança: um "exército de voluntários" em atividades educacionais preventivas, monitorando vacinação, medindo e pesando crianças. Enfim, orientando mães com baixa escolaridade e famílias em condição de risco social.
A Pastoral da Criança transforma o cenário de violência familiar, cobertura vacinal, desnutrição e mortalidade infantil no Brasil e virou exemplo no mundo.
Em 1983, a pedido da CNBB - Confederação Nacional de Bispos do Brasil, A médica Dra. Zilda Arns criou a Pastoral da Criança. Ela desenvolveu uma metodologia de multiplicação do conhecimento inspirada no milagre da multiplicação de peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João ( Jo 6, 1-15).
A educação das mães por líderes comunitários revelou-se extremamente eficiente e 26 anos depois acompanha mais de 1,9 milhões de gestantes e crianças menores de seis anos e 1,4 milhões de famílias carentes em 4063 municípios brasileiros.
Um belissimo exemplo: mais de 260 mil voluntários, a maioria mulheres, transformando a realidade social no nosso país!
Esse simples e eficiente modelo de atenção familiar é de "longe" a mais eficiente experiência dessa natureza no mundo e levou sua fundadora, Zilda Arns, a ser indicada para receber o prêmio Nobel da Paz em 2006. Recebeu inúmeros prêmios ao longo desses 26 anos de trabalho humanitário.
Em 2004, a CNBB entregou a Dona Zilda outra tarefa semelhante que foi criar a Pastoral da Pessoa Idosa, que já atende mais de 130 mil idosos e envolve 14 mil voluntários.
Dona Zilda nasceu em Forquilhinha (SC) e era irmã do Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo. Viúva e mãe de cinco filhos, dedicava sua vida a causas humanitárias. Ela era membro do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Zilda Arns estava naquela que foi sua última missão humanitária em um dos países mais pobres do mundo, quando se tornou uma das milhares de vítimas do terremoto que se abateu sobre o Haiti, enorme tragédia que aprofundou o absoluto caos social, sofrimento e dor naquele pais.
A família de Zilda Arns pede que todas homenagens sejam transformadas em doações para a Pastoral da Criança - www.pastoraldacrianca.org.br
Todas homenagens serão poucas diante da importância do exemplo e do trabalho humanitária de Zilda Arns.
Luciano Rezende