A família da médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, agradeceu nesta quinta-feira as manifestações de conforto e solidariedade. Zilda morreu na terça-feira durante o terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti.
Em nota, a família de Zilda pede que em vez de enviar coroas de flores, sejam feitas doações para o trabalho da Pastoral da Criança, "como seria o desejo dela".
Quem desejar fazer doações, deve acessar o site da pastoral para mais informações. "Essa seria a melhor maneira de homenagear concretamente a drª Zilda Arns Neumann, ajudando com isso a salvar vidas", diz a família na nota.
Velório e enterro
O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, telefonou nesta quinta-feira para a família de Zilda informando que o avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que deve transportar o corpo da médica para o Brasil só deve deixar Porto Príncipe amanhã.
O velório de Zilda Arns será no Palácio das Araucárias, sede oficial do governo do Paraná. O enterro será no cemitério da Água Verde, em Curitiba, onde estão enterrados familiares da vítima.
Segundo Caroline Arns, filha do senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda, ainda não houve a autorização para que seja emitido o documento liberando o corpo da fundadora da pastoral.
O senador afirmou, durante um telefonema na madrugada de hoje para a filha, que vai se esforçar ao máximo para transportar o corpo de Zilda ainda nesta quinta-feira. O corpo de Zilda já está em poder do Exército brasileiro.
Caroline contou que o senador fez o reconhecimento do corpo da médica e que só encontrou um machucado na testa. Na hora do terremoto, ela estava em uma igreja de Porto Príncipe.
Zilda estava em Porto Príncipe, capital do Haiti, para uma missão humanitária. Ela era irmã do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo.
Em nota, ele disse que ouviu emocionado a notícia que sua "caríssima" irmã sofreu "com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto". Para o religioso, não é hora de perder a esperança.
Nascida em 1934, em Forquilhinha (SC), Zilda era representante da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) e fundadora também da Pastoral da Pessoa Idosa.
Ela também era membro do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Viúva e mãe de cinco filhos, ela era empenhada em causas ligadas ao combate à mortalidade infantil, desnutrição e violência familiar. Ela chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006 e recebeu outros diversos prêmios.